top of page

Você está em: QUESTÕES ambientaIS

     Vimos nas nossas aulas sobre aquecimento global a potência da interferência humana nos ciclos e dinâmica do planeta, que segundo a concepção de diversos estudiosos da área, tem potência geológica, inaugurando uma nova era chamada Antropoceno. Para entender um pouco melhor esses temas deixo aqui algumas reflexões e materiais complementares no tema, a começar por um artigo do Prof. Dr. Mario Tolentino e Prof. Dr. Romeu Rocha-Filho, publicado na Revista Química e Socidade onde ele explica a química do efeito estufa!

Nesta seção, dedicaremos algum tempo a entender diversos aspectos da atuação humana no planeta Terra, gerando notáveis problemas ambientais. Essa forma de agir tem um porquê. Vivemos em uma sociedade de mercado, de capital, onde tudo tem valor: a terra (solo), a água, o ar, o peixe, o boi. A natureza, no sistema que vivemos, é um produto e essa é a verdadeira origem dos problemas que vemos. Tratar a natureza com uma lógica de empresa não dá certo e já temos a noção disso. Como disse, aqui, vamos ver a ponta desse iceberg, mas pode ter certeza que existe muito mais do que sabemos ou podemos ver. Comece pelo início ou continue de onde parou através do menu ao lado

O cara que faz essa apresentação no vídeo ao lado se chama Mathis Wackernagel. Ele é um dos criadores do conceito da Pegada Ecológica, que basicamente calcula o quanto os seus hábitos custam para o planeta. Isso é importante porque todas as nossas atividades estão envolvidas em alguma cadeia produtiva que degrada ou esgota determinado recurso do planeta. Por exemplo, para a nossa energia elétrica chegar até a nossa casa, existe algum desmatamento relacionado à transmissão nas torres e à construção de hidroelétricas, poluentes e gases estufa que termoelétricas e hidroelétricas geram constantemente para a atmosfera, entre outros desequilíbrios que entram para a conta do planeta. Então, vamos lá. Assista o vídeo, faça uma pesquisa sobre como exatamente cada hábito interfere na saúde do planeta e repense a sua atuação enquanto indivíduo e até onde você está contribuindo diretamente para degradar ainda mais os limitados recursos naturais. Não é uma tentativa de individualizar problemas estruturais, mas gerar consciência das questões geradas pela atuação humana.

Primeiro, calcule sua Pegada Ecológica

a

pegada_ecológica_por_país.png
pegada_ecológica_por_país.png

Que conclusões você pode tirar ao analisar esse gráfico? Faça esse exercício de interpretação!

O resultado significa a quantidade de planetas necessários para sustentar a população mundial, caso todos os indivíduos tivessem o mesmo padrão de consumo que você

Compare o seu resultado individual com a média do seu país. Você está acima ou abaixo? Porque?

Chamamos popularmente de lixo aquele resíduo ou objeto que não nos serve e é, consequentemente, descartado. Entretanto, como você pode perceber ao calcular sua Pegada Ecológica, tudo que é produzido industrialmente, seja carne, uma calça jeans ou um carro, demanda água e energia para ser produzido. Então, quando fazemos um uso puramente descartável e não consciente das coisas, alimentando a sociedade de consumo voraz que vivemos, estamos literalmente desperdiçando a energia que foi gasta nessa produção. No Brasil são gerados cerca de 80 milhões de toneladas de lixo doméstico todos os anos. Isso não inclui os resíduos gerados pela indústria e setores produtivos. Se formos estimar a produção individual (por pessoa), considerando a população atual      

de 208 milhões de pessoas no Brasil, cada brasileiro produz aproximadamente 380 quilos de lixo por ano. Claro, este número é uma média e não leva em consideração que existem diferenças entre um estilo de vida rural e urbano. Então, se você, que está lendo esse texto, for um adulto de classe média que vive em um meio urbanizado, é provável que sua contribuição individual seja bem maior que 380 kg/ano.

Segundo o Panorama dos Resíduos Sólidos 2017 (ABRELPE), 59,1% dos resíduos coletados são encaminhados para Aterros Sanitários, 22,9% para Aterros Controlados e incríveis 18% para Lixões. Você reparou que eu falei "coletados"? Isso por que existem lugares onde o lixo sequer é recolhido, ficando exposto em terrenos baldios, ruas e rios. A quantidade de lixo que não foi coletado em 2017 foi 7 MILHÕES de toneladas. É alarmante a quantidade de lixo destinado a lixões. Segundo pesquisas, 1.600 das 5.570 cidades brasileiras (30%) têm, pelo menos, um lixão (o que é proibido pela Política Nacional de Resíduos Sólidos). São, ao todo, 3 mil lixões em todo o país. Isso é uma questão ambiental séria pois não existe nenhum controle do chorume, dos gases produzidos e da contaminação do solo num lixão. Além disso, é uma questão séria também de saúde pública. Hoje, o país gasta R$ 3 bilhões por ano com o tratamento de saúde de pessoas que ficaram doentes por causa da contaminação provocada pelos lixões. O aterro controlado também é considerado uma destinação incorreta. Então, temos, hoje, no brasil, 40,9% do lixo sendo destinado forma prejudicial ao meio ambiente e à saúde das pessoas e demais animais.

O problema do lixo no Brasil é uma questão política e social. As pessoas tem pouco conhecimento sobre o assunto, o que faz com que vivam dessensibilizadas diante deste panorama assombroso, ao mesmo tempo que as entidades políticas, de uma forma geral, não estão interessadas em promover a saúde das pessoas e do meio ambiente através de uma destinação correta dos resíduos domésticos.

O que é lixo pra você? Quando não existiam seres humanos modernos, existia lixo na Terra? O que é jogar fora? Isto é, fora de ondePara pensar um pouco na questão dos resíduos, deixo uma edição do Profissão Repórter (primeiro vídeo) que se passa em Gramacho, pra que tenham uma dimensão da tragédia humana e ambiental que é essa questão no Brasil. Já parou para pensar que é provável que parte do lixo que faz "figuração" nas imagens da reportagem são oriundos de você, da sua escola ou família? Gramacho recebia lixo de todas as origens até ser oficialmente desativado, em 2012. Entretanto, é amplamente sabido que até hoje, diversas regiões do lixão recebem caminhões clandestinos diariamente. Além disso, deixo abaixo, o incrível curta-metragem nacional, de nome "Ilha das Flores", e apenas treze minutos de duração que valem muito a pena serem investidos.

Lixo?

Âncora 1

Aterro Sanitário: "Depósito adequado para a recepção de resíduos, com solo corretamente impermeabilizado para evitar o vazamento de material líquido, drenagem e tratamento de chorume, sistemas de captação de gases liberados na decomposição, entre outros sistemas de proteção que evitam a contaminação ambiental."

Aterro Controlado: "Depósitos cobertos que não possuem impermeabilização adequada do solo ou sistemas de dispersão de gases e do chorume derivados da decomposição do lixo. Não é o ideal, seria como algo temporário ou paliativo, um meio termo entre o lixão e o aterro sanitário.

Lixão: "Depósitos a céu aberto sem o menor tipo de proteção e elevado potencial de contaminação ambiental e riscos à saúde. Por determinação da Política Nacional de Resíduos Sólidos, deveriam ter sido encerrados no país até 2014".

CONCEITOS IMPORTANTES

     Para gerir os nossos resíduos sólidos, a solução individual mais eficiente para o nosso dia-a-dia é reduzir o consumo. Procurar consumir menos coisas em uma sociedade que preza muito pelo consumo é algo desafiador, mas possível. Claro que muitas coisas nós acabamos consumindo e, para estes produtos, a solução é reutilizar. Muita gente reutiliza potes, garrafas, dentre diversas outras embalagens mais resistentes. Mas é claro, nem tudo que sobra do que consumimos existe vazão para reutilizar, né? Então, para o que "sobra", a opção mais viável é reciclar. Percebam que os três R's do 'consumo sustentável' trabalham em conjunto, como soluções consequentes. Como vivemos em uma sociedade capitalista, de consumo, temos que ter em mente que tudo que consumimos faz parte de uma cadeia exploratória de algum recurso, seja água, minérios, terra, etc. Entretanto, já que não-consumir é impossível, é viável que se escolha melhor o que, quando e como consumir: 

1' Eu preciso disso? Se sim,

2' Eu posso suprir essa necessidade com algo que eu já tenho? Se não,

3' Eu posso comprar um produto já usado que supra essa necessidade? Se não,

4' O produtor/vendedor obteve esse produto como? Aqui, não se esqueça que muitas marcas utilizam trabalho escravo ou terceirizam trabalho escravo. Evitar isso faz parte de consumir de forma consciente também.

5' Ao escolher o produto, prefira os mais duráveis, não-descartáveis. Cada copo descartável de plástico, por exemplo, demanda 500ml de água para ser produzido, que é mais água que você usa para lavar um copo reutilizável (de vidro ou de plástico resistente). 

6' Quando o produto quebrar, rasgar, etc.. Tente consertar. Se não tiver como,

7' Destine de forma adequada.

Muita gente tem dificuldade com a questão de reciclar, mas se o seu bairro ou condomínio possui algum sistema de coleta seletiva, ótimo: você só precisa separar o lixo. Caso não tenha, talvez você precise levar o lixo até algum ponto de coleta ou você pode organizar um grupo dentro da sua comunidade para fazer tal logística e pode até conseguir que a empresa ou governo vá buscar o resíduo. Mas como saber onde tem pontos de coleta de resíduos? Você pode acessar o eCycle, que de acordo com o tipo de resíduo que você deseja descartar, te ajuda a encontrar postos de reciclagem e doação mais próximos de você de acordo com o seu CEP. Funciona como um Tinder pra que os seus resíduos sólidos encontrem a destinação mais ecológica e adequada. Romântico, até. 

Os benditos "três R's"

O Brasil possui números irrisórios de reciclagem se comparado a outros países. Somente 3% dos resíduos gerados são reciclados. Para aumentar essa taxa, especialistas recomendam políticas públicas de incentivo a empresas públicas e privadas do ramo, cessão de incentivos fiscais, propagandas, incentivo à separação de lixo nas casas, coleta seletiva, educação e informação. 

30% dos municípios brasileiros ainda não contam com nenhuma iniciativa de coleta seletiva e, segundo o IBGE, quase metade dos municípios não possui um Plano Integrado de Resíduos Sólidos, que é uma condição básica para receber os recursos, financiamentos e incentivos da União para tal área. Sem o dinheiro, não existe como viabilizar projetos para destinar corretamente e reciclar os resíduos sólidos. Você sabe se o seu município possui um Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos?

O Brasil é um país que recicla?

     Para os resíduos orgânicos (que são mais de 50% do resíduo que produzimos) a solução mais praticável é a compostagem. Para conhecer melhor sobre o tema, navegue no conteúdo abaixo. O Ciclo orgânico é uma iniciativa, por exemplo, que recolhe o lixo orgânico dos assinantes semanal, quinzenal ou mensalmente fazendo passagens em bairros da Zona Sul e Centro do RJ. Vejam o site que contém matérias que evidenciam a importância de "fechar o ciclo". Em .PDF deixo um manual de como montar uma composteira doméstica (como a que tenho em casa há mais de dois snos e funciona super bem para destinar o meu resíduo orgânico!). Ela não tem cheiro ruim e não gera sujeira, então pode ser feita em apartamentos, como é o meu caso.

Manual

O blog da Cristal é chamado "Um ano sem lixo". Ela reproduziu a ideia de uma moça norteamericana, Lauren Singer, só que no contexto do Brasil e dá dicas no Blog, dá workshops e até deu uma palavra no TEDx de Blumenau, explicando como é mais fácil do que parece reduzir drasticamente a produção de lixo!

Como produzir menos lixo e destinar corretamente o que eu produzo?

A apresentadora, culinarista e vlogger Bela Gil apresenta no seu canal do YouTube apresenta diversos temas relacionados à uma vida e alimentação mais natural e postou um vídeo sobre as alternativas ecológicas e mais higiênicas que ela utiliza aos absorventes menstruais. Conheça mais as alternativas propostas por ela nos links:

Claro! Antes do advento das atuais fraldas descartáveis era muito comum utilizar fraldas laváveis de pano, mas elas produzem um volume de lixo surpreendentemente grande. Ou seja, imaginem um bebê que utiliza três fraldas ao dia e faça as contas para dois anos de vida, onde em média ele abandona esse hábito. Muito lixo, né? Então, utilizando a tecnologia em favor da mitigação de impactos ambientais, já existem no mercado fraldas higiênicas e confortáveis que seguem a mesma lógica de reutilização e lavagem. Existem diversos depoimentos de pais e mães no YouTube e vou deixar alguns links abaixo para quem se interessar!

Para os bebês, há opção?

Livro com receitas de produtos de limpeza: A Casa Limpa e Ecológica - Beauchamp

"Desde a sua extração através da venda, utilização e eliminação, todas as coisas em nossas vidas afeta comunidades em casa e no exterior, mas a maior parte desta está escondido da vista. The Story of Stuff é de 20 minutos, rápido olhar, cheio de fato na parte inferior dos nossos padrões de produção e consumo. The Story of Stuff expõe as conexões entre um grande número de questões ambientais e sociais, e nos chama juntos para criar um mundo mais sustentável e justo. Ele vai ensinar-lhe alguma coisa, ele vai fazer você rir, e ele só pode mudar a maneira como você olha para todas as coisas em sua vida para sempre".

"As histórias das coisas"

Âncora 2

A ação predatória do modelo de sociedade que vivemos hoje em dia é inegável. Outra grave perspectiva da atuação humana são as poluições. Parte por conta de um problema já apresentado (o lixo) e parte por outras causas. Existem diversos processos pelos quais ocorrem poluições no ar, no mar, nos organismos vivos e no solo. Vamos falar mais aqui sobre aquela que acomete os nossos recursos hídricos, mas todas serão esmiuçadas ao longo de toda a página. 

As poluições (no plural)

Entendemos que a poluição da água ocorre de quatro formas diferentes:

1) Sedimentar: é o acúmulo de partículas em suspensão, quimicamente danosas ou não. Pode ocorrer pelo desmoronamento de sedimentos de encostas a partir de erosão ou de forma criminosa como foram os casos do rompimento das barragens do Fundão, em Mariana (MG) e do Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG). Como os rejeitos que caíram no rio eram de mineração, continham diversos metais pesados que reagem com o oxigênio, asfixiando a vida no rio; além disso, a poluição sedimentar bloqueou a entrada de luz na água, fazendo com que o fitoplâncton e as plantas morressem, impedidos de fazer fotossíntese. O rio doce, para todos os efeitos, é considerado um rio morto. Os poluentes que foram despejados neles já desaguaram no mar e ameaçam o equilíbrio dos ecossistemas marinhos até em Abrolhos (BA), segundo estudo da UERJ. O Rio Doce vem sendo monitorado desde o dia seguinte do rompimento da barragem, em 5 de novembro 2015 e os relatórios vêm sendo publicados periodicamente aqui.

Mares, rios e lagoas

Rio Doce.jpg

2) Biológica: é o acúmulo de matéria orgânica que se concentra em corpos de água, trazendo contaminações por microrganismos patogênicos ou desencadeando processo de eutrofização. Em relação à contaminação por microrganismos patogênicos, essa questão toca muito no saneamento básico e transmissão de doenças cujos agentes se disseminam pela água, como verminoses, leptospirose, hepatite, amebíase, difteria, entre muitos outros. Isso ocorre quando o esgoto gerado nas casas (aqueles encanamentos que levam fezes, etc) não são devidamente tratados para tornar a água novamente segura para consumo. Quando esse esgoto não-tratado é despejado em corpos de água, como rios, mares e lagos, estamos tornando-os reservatórios destas doenças. Uma vez ingerindo essa água, de qualquer forma, podemos nos contaminar.

Mas não são só microrganismos, verminoses e protozoários que podem afetar biologicamente os corpos d'água e a nossa saúde. A urina, fezes e outros dejetos orgânicos que produzimos todos os dias são ricos em matéria orgânica, correto? Quando despejados, sem tratamento, nos corpos d'água, estamos colocando uma quantidade imensa de matéria orgânica concentrada em uma pequena região. Isso aumenta os níveis de Nitrogênio e Fosforo na água, o que faz com que cianobactérias e algas se multipliquem de forma indiscriminada, já que o principal limitante para elas é justamente a quantidade desses nutrientes dissolvidos na água. As cianobactérias, apesar de serem fotossintetizantes, vivem próximas à superfície, então o O2 produzido por elas nesse processo é majoritariamente destinado à atmosfera. Quem mais produz para o equilíbrio deste gás em rios e lagos são as plantas enraizadas, em geral.

Bom, voltando: com um aumento da disponibilidade de Nitrogênio e Fósforo, temos o consequente aumento no número de algas e cianobactérias, o que começa a gerar uma baixa oxigenação na água, uma vez que sua alta população faz como um "filme" na lâmina superficial da água, impedindo a entrada de luz. Consequentemente, as plantas enraizadas não conseguem realizar fotossíntese e as concentrações de O2 na água diminuem. Com isso, organismos mais sensíveis começam a morrer, o que faz com que organismos decompositores, que utilizam oxigênio nesse processo, tornem o ambiente ainda mais restrito na concentração deste gás. Esse processo que descrevemos é conhecido como EUTROFIZAÇÃO. Ele também pode ocorrer ou ser intensificado pela lixiviação de fertilizantes, caso hajam culturas agrícolas que façam uso, próximo de rios. O vídeo abaixo explica esse processo.

eutrofizacao.jpg
foto-dr1bd34c05.jpg
Esgoto.gif

Fertilizantes são aditivos agrícolas naturais ou sintéticos que têm como função, enriquecer o solo com nutrientes para melhorar o desenvolvimento dos vegetais que estão sendo cultivados. Agrotóxicos são venenos utilizados para controlar 'pragas agrícolas', que nada mais são que organismos que surgem a partir do desequilíbrio ambiental provocado pelo desmatamento e modelo de monoculturas. Eu falo mais sobre agrotóxicos num post lá do blog!

NÃO CONFUNDA

esquema_eutrofizacao.jpg

Fonte: USP

3) Química: é a contaminação da água por dejetos químicos. Pode ocorrer, por exemplo, próximo à lavouras que utilizam agrotóxicos nas suas culturas. Esses venenos podem ser lixiviados e contaminar a água dos lençóis freáticos, rios, mares e lagoas. Muitas indústrias também despejam produtos químicos residuais de seus processos de forma indiscriminada no mar, alterando o equilíbrio dos ecossistemas marinhos e trazendo potenciais perigos à saúde. O esgoto também pode ser uma fonte de poluição química, na medida que carrega resíduos de drogas e medicamentos usados por humanos que saem residualmente na urina. Foi detectado, em pelo menos dois grandes estudos, alterações no modo de vida e até no sexo de peixes e aves que vivem perto de afluentes de esgoto ou estações de tratamento. Outra fonte comum de poluição química nas águas são os derramamentos de petróleo e óleos brutos por navios petroleiros e estações marítimas de extração do produto. Volta e meia vemos uma notícia de um vazamento de óleo ou petróleo no mar, né? Esses vazamentos também criam zonas mortas, pois estes produtos são imiscíveis na água e causam asfixia nos animais marinhos. Observe a reportagem ao lado. Outra fonte muito séria de poluição química nos mares é em relação ao plástico, na qual eu separei materiais aqui em baixo:

oleotramandai.jpg

Lixiviação ocorre quando um fluxo de água que escoa no solo leva algum material, seja pela superfície, seja para as camadas profundas do solo. Pode ser, por exemplo, nutrientes, agrotóxicos, fertilizantes. Qualquer substância, a priori, pode ser lixiviada. Não entendeu?

Oceanos de plástico é um filme de 2016 que mostra um documentarista (Tanya Streeter) investigando oceanos repletos de plástico. Vale muito a pena assistir para refletir sobre, uma vez que o plástico é uma substância não degradável. Praticamente todo o plastico que já foi produzido nestes 70 anos de história desse polímero ainda está na Terra, seja nos ciclos de reciclagem, seja nos oceanos. Mesmo que você não consiga vê-los, eles estão lá, na forma de microplásticos.

a-plastic-ocean-2016.jpg

Documentário Recomendado

4) Térmica: é o despejo de água com uma temperatura muito maior que aquela encontrada naturalmente no mar. É comum observar isso em indústrias que utilizam água para resfriar seus equipamentos, devolvendo uma água quente sem esperar que ela retome a temperatura ambiente. As principais consequências disso são:

- Diminuição da quantidade de oxigênio dissolvido na água, pois o aumento de temperatura diminui a solubilidade do gás O2 na água, facilitando sua passagem para a atmosfera. Isso diminui a concentração do gás dissolvido na água, dificultando a sobrevivência de organismos aeróbicos (peixes, plantas, algas, etc);

- Morte direta de organismos termossensíveis, isto é, que são sensíveis a variações de temperatura muito bruscas; e

- Possível potencialização da poluição química que já possa existir, pois quando adicionamos calor em um sistema, estamos aumentando o estado de energia das moléculas e, consequentemente, facilitando reações químicas. Caso hajam poluentes químicos, eles podem ser potencializados.

Esse é uma imagem feita por um equipamento que tem sensibilidade à temperatura. As cores significam o seguinte: quanto mais perto do vermelho, mais quente; quanto mais perto do azul, mais frio.

poluição térmica.jpg

Assoreamento é o acúmulo de sedimentos pelo depósito de terra, areia, argila, lixo ou qualquer outro dejeto sólido que possa se acumular no leito de um rio, baía ou lago. Pode ocorrer tanto natural quanto de forma antrópica. Ocorre frequentemente devido ao mau uso do solo, monocultura, desmatamento de encostas, deslizamentos e degradação da bacia hidrográfica. O processo de assoreamento funciona como um "aterramento", sem necessariamente acabar com o volume real de água do rio, mas inutilizando esse volume no que diz respeito à vida e ao movimentos de leito, como a correnteza. Ou seja, morre o volume útil, morre o rio como conhecemos e como os animais conseguem utilizar. A principal causa do assoreamento por terra causado pelo homem é o desmatamento de Matas Ciliares, isto é, aquelas que ficam nas margens do rio. Isso deixa o solo exposto à erosão e mais suscetível à deslizamentos. Isso pode acontecer por lixo também, basta que a quantidade de lixo jogada sobre o rio seja tão grande que seja capaz de se acumular em todas as profundidades, desde o fundo até a superfície.

Assoreamento

assoreamentio.jpg
assoreamenti.jpg

SIM, ISSO É UM RIO.

Âncora 3
organograma agua.jpg

Se toda água do mundo se resumisse à 1000L, cerca de 975L estaria nos oceanos, na forma de água salgada ou salobra. Os 25L restantes são de água doce, mas 18L estão congelados nos polos e demais regiões frias (topos de montanha, etc). Sobra 7L de água doce. Dessas, 6L estão nos lençóis freáticos, embaixo do solo. Sobra apenas 1 litro, então, que se distribui na forma de umidade do solo, umidade do ar, agua que compõe os seres vivos, etc. Então, desse 1L que sobrou, na verdade apenas 150mL está na superfície terrestre na forma líquida, disponível para consumo. É a água acumulada em lagos e rios.

Vivemos no Planeta Água onde somente 0,015% desta água está realmente disponível para hidratação dos animais terrestres. Ou seja, a quantidade de água doce disponível é extremamente escassa. O que é feito, frequentemente, é a perfuração dos lençóis freáticos para retirar água dos reservatórios subterrâneos (poços artesianos). Assim, essa água é usada para a agricultura, indústria e hidratação dos animais de produção.

Quantidade de água doce na Terra

agua.jpg

O Brasil possui 12% da água doce disponível no mundo (9,6% só na região amazônica). A floresta da região ainda tem uma ativa participação no regime e distribuição das chuvas em toda a América do Sul, entretanto o desmatamento nesse Bioma têm sido catalizador de crises hídricas no sudeste do Brasil e pode vir a causar desertificação em algumas áreas do país.

Em relação à distribuição da água limpa e potável a nível global, ela obedece a preceitos capitalistas. A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que a quantidade de água que cada ser humano precisa para viver com conforto e saúde é de 110 litros por dia. Isso inclui a água gasta na produção dos alimentos, bens básicos e para consumo direto. No Estados Unidos, por exemplo, cada cidadão utiliza 575L de água por dia. No Brasil, a média é 187L/dia. Na Nigéria é 35L/dia e na Etiópia, a média per capta é de 15L/dia. Não é que sejam necessariamente regiões mais úmidas ou mais secas, com mais ou menos água. As razões pra isso acontecer são duas:
1 - Essa conta leva em consideração a água consumida para produzir bens de consumo e alimentos. Quanto mais consumista é um país, mais o gasto per capta de água/dia sobre. 
.

Índice de disponibilidade de água per capita (m³/pessoa/ano)


2 - Quando a qualidade da água afeta a quantidade, existe menos água potável disponível para consumo, como falaremos a seguir. Portanto, quanto mais rios, lagos, bacias e mares poluídos, menos água disponível para consumo haverá no país.

Água no Brasil e a Distribuição no mundo

risco-escassez-1e116d01.jpg
acesso-agua-1024x480.jpg

Proporção da população usando, pelo menos, o mínimo dos serviços de água potável, 2015.

Um estudo realizado pela Fundação SOS Mata Atlântica, chamado “Observando os Rios 2017”, analisou a qualidade da água em 240 pontos de 184 rios, córregos e lagos de bacias hidrográficas desse bioma em todo o Brasil. Nenhum ponto foi avaliado como "ótimo". Somente 2,5% foi avaliado como "bom". 70% estão em situação regular e 27,5% com qualidade ruim ou péssima. (Fonte: Agência Brasil) “Isso significa que 66 pontos monitorados estão impróprios para o abastecimento humano, lazer, pesca, produção de alimentos, além de não terem condições de abrigar vida aquática. Nenhum dos pontos analisados foi avaliado como ótimo”, diz o relatório. Ou seja, esse é apenas um exemplo prático de quando a qualidade da água afeta sua "quantidade". Não que a água imprópria não exista, mas ela não pode ser usada para nenhum fim, nem para humanos e nem para animais. A água disponível na superfície já é absolutamente escassa em relação àquela não-disponível. 

Quando a qualidade afeta a quantidade

Âncora 4

Agora que já conversamos um pouco sobre a questão dos resíduos, não podemos deixar de falar sobre as formas nas quais o Brasil obtém energia e como elas impactam o meio-ambiente. Algumas perguntas como "Qual a distância da origem e do destino da energia? A energia é renovável? É limpa?" são relevantes para mensurar o impacto ambiental dessa produção energética. A energia hidrelétrica, majoritária na produção de energia elétrica no Brasil, que tem uma malha hídrica riquíssima, não está nem perto de ser considerada uma energia limpa. Por que? Confiram o material disponível para entender essa, que é a principal forma na qual nosso país produz energia para abastecer a população e as outras cadeias produtivas.

O impacto da Energia sobre a Pegada Ecológica

As hidroelétricas não são uma fonte de energia limpa e essa é a principal desconstrução que precisamos fazer aqui. Não são limpas sob o ponto de vista ecológico e muito menos social. A escolha por construir hidroelétricas obedece muito mais ao mercado do que à real necessidade da população. Energias limpas são viáveis, mas a maior delas (solar) dá a cada pessoa a autonomia de produzir sua própria energia, tirando da mão do lobbys e grandes empresários do setor, a exclusividade em nos fornecer esse produto. Leia a reportagem abaixo.

Solar na alemanha
Âncora 5

O desmatamento é a retirada da vegetação, original ou não, deixando o solo exposto. Aqui, vamos traçar - de forma bem resumida- as principais causas e consequências para o desmatamento no contexto do Brasil, cujos números são alarmantes.

Desmatamento

No Brasil, as maiores causas do desmatamento são:

1 - Urbanização: com a expansão das grandes cidades e centros urbanos, os biomas sofreram um desmatamento desenfreado para dar lugar à casas, avenidas, prédios e especulação imobiliária. No Brasil, a maior parte da população se concentra nos litorais (olhe o gráfico ao lado). As cores mais escuras indicam maior densidade populacional. Com isso, o Bioma mais atingido por esse evento de urbanização é a Mata Atlântica, bioma litorâneo que predomina do nordeste ao sul do Brasil, apresentando a maior variação latitudinal dentre as grandes regiões ecológicas do Brasil. Altamente fragmentada, hoje, ela representa somente 7% da cobertura original, estimada em 1500, na época da colonização portuguesa. Na imagem abaixo, você poderá ter uma ideia da redução da área original deste Bioma pelo advento da Urbanização. Compare com o gráfico de concentração populacional que está ao lado.

remanecente-da-mata-atlantica.jpg

2 - Agropecuária: o cerrado e a amazônia são as maiores vítimas  do agronegócio no Brasil. Isso é um consenso. No cerrado, em especial nas regiões norte do Maranhão, tocantins, Piauí e Bahia, o desmatamento para esses fins nunca esteve tão alto na história. "Essa região é apontada como a nova fronteira do agronegócio brasileiro, dedicada sobretudo, à produção de soja, óleo de palma e pecuária (criação de gado)" [Relatório Planeta Vivo, WWF]. O cerrado é a Savana Brasileira e, hoje, é o Bioma mais ameaçado no país por conta da expansão do agronegócio. Ele já perdeu 50% da sua cobertura desde 1970. Olhe no mapa ao lado que ilustra as regiões de desgaste desse bioma.

3 - Extração de Madeira: outro fator gerador de desmatamento é a extração seletiva de madeira, para fins comerciais. a madeira é matéria prima vital para a construção civil, móveis e o imenso mercado do papel, cuja celulose é extraída majoritariamente dos eucaliptos. A extração de madeira é regulamentada por leis ambientais, mas o extrativismo ilegal é uma realidade muito presente, principalmente na Amazônia.

4 - Mineração e Hidroelétricas: as áreas de mineração e onde vão ser construídas hidrelétricas são desmatadas por diversas razões. Aqui, dois fatores tem de ser levados em consideração: o primeiro que existem dezenas de projetos de hidroelétricas e áreas de mineração, mostrando que podem ser um problema maior no futuro que já é hoje; o segundo fator é que as áreas que são abandonadas após a exploração ou as depois que usinas são desativadas não recebem os devidos cuidados para serem restauradas/regeneradas.

Causas

normal_133densidadedemografica.jpg
mapa cerrado.jpg

No primeiro mapa, em 1500, uma estimativa da cobertura original da Mata Atlântica. No segundo mapa, em 2010, com apenas 7% da cobertura original do Bioma. Hoje, a maioria das áreas remanescentes estão isoladas no meio de grandes manchas urbanas, em áreas de proteção ambiental.

As cinco maiores consequências e suas ramificações, são:

1 - Perda de Biodiversidade: Uma consequência seríssima do desmatamento é a perda de biodiversidade. Isso se dá, principalmente, devido a: 
      1.1 - Perda de habitat. O desmatamento retira a cobertura florestal original. Diante das mais diversas formas de desmatar (com fogo, maquinas, serra elétrica, etc) a aparência e as condições da área desmatada muda. As plantas são base das cadeias tróficas, como vimos na seção de ecologia. Então, quando as removemos, retiramos recursos alimentares, esconderijos, ninhos e microhabitats de outros organismos que ali vivem. Ou seja, com a perda do habitat, torna-se praticamente inviável a sobrevivência da maioria das espécies animais que vivam ali, pois a escassez de alimentos e as condições ambientais são brutalmente transformadas em uma área desflorestada.

fragmentação_de_habitat.jpg

      1.2 - Fragmentação de habitat. Ocorre quando algumas áreas não são desmatadas, resultando em pequenos fragmentos de floresta. Esse processo têm diversas consequências, como por exemplo, um aumento muito grande da probabilidade de espécies raras serem extintas. Isso ocorre pois espécies raras estão em baixa densidade populacional e normalmente dependem de um fino equilíbrio nas condições ambientais. Com as variações provocadas pela fragmentação, essas espécies normalmente não resistem e são localmente extintas. O isolamento das populações dentro desses fragmentos também pode impedir que as espécies tenham acesso aos recursos localizados fora da mancha de habitat, deixando-as com recursos limitados dentro do fragmento. Isso aumenta a competição por recursos. Outro fator que interfere na resposta das espécies à fragmentação de habitats é o efeito de borda. Esse efeito descreve que as espécies que estão na borda do fragmento estão mais expostas à tudo e interagem menos com as outras espécies em relação às que estão no interior do fragmento. Isso faz com que elas tenham mais dificuldade de sobreviver, fazendo com que o fragmento encolha continuamente. Então, podemos dizer que a tendência geral de um fragmento (claro que isso depende de alguns fatores) é encolher sucessivamente. Pensando nesses fatores e consequências da fragmentação para a biodiversidade, O Banco Mundial traçou as seguintes prerrogativas como estratégias de conservação: 

a) Uma reserva grande é melhor do que uma pequena;
b) Uma reserva grande é melhor do que várias pequenas que totalizem a mesma área;
c) Reservas mais próximas entre si são melhores do que reservas distantes umas das outras;
d) Reservas agrupadas são melhores do que reservas dispostas em linha reta;
e) Reservas ligadas por corredores são melhores do que as que não tem ligação entre si;
f) Reservas circulares são melhores do que reservas alongadas ou de forma irregular.

Se você conseguir justificar todas essas prerrogativas, você entendeu bem a questão da fragmentação de habitats! Faça esse exercício.

2 - Mudança na dinâmica de chuvascomo já falamos em diversos momentos, as florestas são importantes fatores na dinâmica climática de uma região. O tipo de vegetação, a densidade e idade da floresta, etc, são importantes para entender essa influência. Junto com a evaporação da água do mar, as grandes florestas tropicais são grandes agentes nas formações das chuvas que caem no continente. Isso por conta da evapotranspiração das árvores (parte da água que as plantas absorvem do solo evapora pra atmosfera através das folhas). Quando o desmatamento abrange grandes áreas na amazônia, por exemplo, isso interfere no regime de chuvas de toda América do Sul.

Rios Voadores.jpg
efeito gota.jpg

 

3 - Exposição do solo. Com o desmatamento, além da perda/fragmentação de habitat e mudança na dinâmica de chuvas, o solo e sua qualidade também sofrem. Quando desflorestamos uma área, expomos o solo aos seguintes processos:

3.1 - Erosão. É o processo de desgaste de solos e rochas promovido por agentes naturais, como vento, água, animais, etc. A erosão ocorre quando alguma parte é transportada para outa através desses agentes e apesar de ser um evento natural, a atividade humana aumenta sua intensidade, visto que a erosão é maior em solos expostos do que em solos cobertos por vegetação, por exemplo. Então o desmatamento promove uma maior erosão nos solos que expõe. Um solo totalmente exposto está mais sujeito à ser afetado pelo vento, temperaturas altas e chuva (efeito gota, na foto ao lado). A principal questão da erosão para a qualidade do solo que afeta os seres vivos é que pela perda das camadas superiores do solo, que são as mais ricas em nutrientes, o resultado é um solo pobre. Em alguns casos, um processo de erosão pode conduzir à desertificação. Além disso, os sedimentos que são transportados podem se sedimentar em rios navegáveis, assoreando-as, além da eutrofização de corpos d'água, pelo fato desse sedimento transportado ser rico em carbono e nitrogênio (como normalmente é o solo de florestas).